domingo, 28 de abril de 2013

Encantos

Terminou mais um fim de semana, e eu fiquei mais rica. Porque foi diferente, porque foi maior, mais dias, aproveitando a sexta feira para um dia de férias, e porque foi mais afetuoso ainda. Duas crianças, lindas, amorosas, inteligentes, auto-confiantes e cheias de autoridade. Mas atentas, obedientes,  educadas e de uma ternura cativante. E o tempo ajudou. Apesar do vento, o sol já é quente e já dá para passar umas boas horas ao ar livre, aproveitando o calor do sol. Jogámos à bola na praia, molhamos os pés nas ondas da maré da manhã, visitamos o Zoo de Avintes, fizemos o lanche ao ar livre, fomos fazer um teino no Karting do Cabo do Mundo, passeámos pela história das lutas liberais do D. Pedro contra os Miguelistas, e na praia que lhe dá o nome retirámos da memória esquecida o ataque organizado a partir dos Açores, para desembarcar no lugar de Pampelido e apanhar de surpresa o regime absolutista, que ficou conhecido por "exército libertador".
Fomos ao mercado de Angeiras comprar peixe "que é um alimento muito saudável" e aproveitamos para comprar também alguns vegetais (alface muito tenrinha, alho francês e grelos das hortas do Mindelo, tudo pela módica quantia de €:2,70). 
Ainda deu tempo de brincar às escondidas, fazer desenhos para oferecer aos adultos, fazer bolachinhas de aveia e frutos secos (receita já existe aqui) e tirar muitas e algumas bonitas fotografias. 
Hão-de haver mais dias assim compridos, sem horários, sem muitas regras mas regrados, dias que servirão para crescer, para aprender a repartir e a partilhar, para ensinar e aprender. 
Serão dias intensos, imensos e cansativos, onde a minha alma poderá repousar e o meu coração dilatar... por  amor!















sexta-feira, 26 de abril de 2013

Um gesto

Foi para ti que plantei as zínias
suaves e coloridas como tu
e como tu gostam do verão
e as borboletas gostam delas
como de ti



Foto:Mafaldinha

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sentimento


Nesse lugar de ti
perdido de defeitos
que nem me vês
repleto de carinhos
que por mim crês
com a tua verdade
que não tem porquês
és especial

Há uma amizade que em nós aumenta
Na partilha de pão e amor
que repartimos entre nós dois
sempre presentes
quando ausentes
seguimos caminhos
que não dependem da paisagem
nem do tempo
mas dos sonhos
que guardamos
e que nascem
dentro de cada um de nós
e deixam marca
e na sua simplicidade
são um canto
um aceno
um olhar
um pensamento


terça-feira, 23 de abril de 2013

Lá longe


http://youtu.be/WRbJTUr3j0M

Areias de um desejo


Escrevemos uma página na areia da praia
Gravamos os nossos nomes no firmamento
São versos de uma poesia inacabada
As gotas de água que de forma crescente
Atingiram o teu afluente
E agora são um rio que corre e escorre
Por dentro de nós mergulhando nesse mar
Que se deita na praia e se estende para lá do horizonte
Entrando no céu de ambos tornando-se um só
Nessa areia onde me entrego ao teu desejo
Confundindo os sentidos na tua seiva
 Me sacio por inteiro de ti
O teu corpo embrulha o meu e leio no teu
As vontades que nos consomem
Afogam todos os medos e pintam aguarelas
Com as cores brilhantes da paixão

Foto:Mafaldinha

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Uma vida, um livro

Nunca tinha ido à escola nem sabia da magia de juntar letras para inventar existências. Os dias seguiam o ritmo das horas e o sol que debaixo de um céu inquietante mediava entre o nascer e o morrer ensinou-a a descobrir o dia de amanhã. Mas daquele olhar autêntico era como se brotasse um livro, tamanha a sabedoria com que nos presenteava. Aprendera a ler a alma dos homens através do coração. Para quê mais palavras …



Desafio nº 41 -Dia mundial do livro
Uma história de livros, sobre livros, com livros dentro ou dentro de um livro. Enfim uma história que nos permita viajar e nos dê motivo para ler e aprender a ler.

publicado no blogue: Histórias em  77 palavras


Foto:Mafaldinha

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Palavras

Hoje não escrevo para ti
As palavras que voam na folha branca
E a mancham de azul num rodopio
de letras que se enlaçam e se tocam
não são tuas nem para te oferecer
Não me deste o teu abraço
quando dele mais precisei
nem secaste as minhas lágrimas
que molhavam o teu poema
agora já é noite, a lua escondeu-se
nem as estrelas se acenderam lá fora
e eu fico em silêncio e na escuridão
deste mundo que me mostraste
e foste embora. Agora não sei o caminho
e o frio aproxima-se de mim
morrerei de amor sem ele
ficam as palavras que não te disse
em pensamento


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Arribas

Havia um extenso areal e as ondas a beijar a praia
E tu a caminhar na areia, feliz como criança que eras
para dar de beber à saudade
mas não despiste o meu vestido de cambraia
nem seguraste as minhas mãos entre as tuas

Nesse pequeno paraíso de mar e céu
na calma dos dias travando uma batalha silenciosa
onde o invasor é interno de mistério carregado
e ela não é francesa nem tem beleza
tem ardor e um frescor arrebatado

Por entre majestosas arribas, vislumbrando a doçura
que a natureza contempla adormecendo um segredo
descalça, a sereia fugia por entre risos e beijos
nesse mar povoado de lendas encantado e pitoresco
serão também aí mutáveis as tuas paixões

Não me levaste a beijar as ondas nem molhei os pés no mar
nem fiquei adormecido nem carreguei de vencido caminho de servidão
à míngua de tanto silêncio travo mais uma batalha
perdida, interna e sofrida que terminará desfeita em ruína
quando o dia virar sombras e a noite escuridão

Foto:Mafaldinha






quarta-feira, 17 de abril de 2013

Naquele mar

Na praia da areia branca
nas ondas de uma paixão
no mar que não me escolheu
fez-se noite e em teu peito
esse calor esse grito apenas adormeceu

Talvez não seja o lugar
nem a nascente do rio
onde vou escutar o mar
e onde sentada suspiro
nos braços de outro luar

Na raíz de uma palavra
planto flores que te dou
despida do mundo abandono-me a ti
deixa-me ficar esta noite
para quando morrer sentir que vivi

Foto:Mafaldinha

domingo, 14 de abril de 2013



Pastel de nata

Passeando pelo virtual, tomei conhecimento de que decorre em Lisboa, por estes dias, um concurso do pastel de nata. Não dei importância ao assunto, mas fiquei a matutar. Pastel de nata também eu sei fazer, tenho até uma receita própria,  que não faço há largos meses.
Adapto tudo quanto é receita e quando me pedem, eu nunca sei muito bem as quantidades, pois para mim é sempre mais ou menos. Tenho-me educado um pouco com a publicação de algumas receitas aqui no blogue.
Embrenhada que ando com o Fernando Namora e com o Aquilino Ribeiro, por motivos vários e variados, leituras densas e pouco aconchegantes, dei comigo a fazer uma sobremesa rica e apetitosa neste domingo sorridente de sol e a pedir mimo. 
Não concorri, não ganhei nada, mas é um maná uma fatia desta deliciosa tarte com um café quentinho, neste dia que também é o dia mundial do café.

Ingredientes:
3 dl natas
6 gemas de ovo
120 gr de açucar
uma embalagem de massa folhada fresca, 
umas gotinhas de aroma de baunilha (opcional)
canela en pó, qb (para quem gostar)

Leva-se ao lume as natas e as gemas mexidas com o açucar, mexendo com regularidade com uma vara de arames, até fervilhar e começar a engrossar.
Numa tarteira coloca-se a massa folhada deixando ficar por baixo o papel em que vem enrolada, deita-se o preparado e vai ao forno pré-aquecido, a cerca de 200º, por cerca de 15 minutos.
Deixa-se arrefecer e polvilha-se com canela  a gosto.

Bom apetite!
Foto:Mafaldinha
Nas minhas andanças pelas histórias do volfrâmio (mineral tungsténio) e dos homens que pela incansável procura de terras de "promissão"  fizeram de Portugal um dos maiores produtores deste metal no sec XX, descobri a poesia de Fernando Namora, a qual me tem proporcionado uma agradável surpresa.

Nocturno
(...)
Noite...
(apetece-me repetir o teu nome)
alagaram a cidade com mistério
- que brutos, que brutos os deuses!,
sinto mãos viscosas, aranhiços
a bajularem-me os braços,
andam fantasmas à solta, pelas ruas,
ossos de uma brisa
de voz cava.

É noite.
Quem saberá distinguir
o teu e o meu grito,
a febre e o arrepio,
as carícias e os punhais?

Noite.
nesta rua onde me deslasso,
filósofo estremunhado,
há uma luz baça
que, ébria, tropeça
na calçada. ( As frias Madrugadas de Fernando Namora)

Foto:Mafaldinha



sábado, 13 de abril de 2013

Um tio tonto



O foi a Toronto e de tanta neve que via, resolveu andar de trenó. Mas como faria? Não era um sonho muito fácil de realizar …Tinha um tio um pouco tonto, com mão de marceneiro. De um toro de madeira velho, no torno aparelhou, serrou, esculpiu, cinzelou e finalmente uma pequena obra de arte. Perfeita não, alguns defeitos que nem noto. Parecia um rei sem trono.
Do restinho ainda deu para fazer um pião.
 Que saudades!



Toronto, Tó Tonto, Trono, Torno, Noto, Toro

Escrever um texto com 77 palavras, utilizando as palavras indicadas.

Publicado no Blogue:  http://www.77palavras.blogspot.com/




sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ao cair da noite

A noite cai sobre a minha rua
e esvai-se a última réstia de sol
tão ténue como a cambraia
tão simples como a sua vida
tão breve como um sopro

Nem as sombras choram
urdidas do negro da noite

nem as lágrimas serão pecado
para quem enterrou os pés no caminho
recolheste-te na sombra e ficou apenas
o teu perfume clandestino
no marulhar dessa praia de areia e sal

onde a ausência ensaia uma fuga
na casa quieta
Ao cair da noite

Foto:Mafaldinha





quarta-feira, 10 de abril de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

Flor

Como se colhe uma flor
em tuas mãos
me acolheste
Enfeitaste a tua jarra
e lugar de destaque
lhe deste
que nem flor
acabada de abrir.
desabrochou
tão insegura e frágil
tombou
e a jarra rolou
em pedaços
E numa pétala suave
pisou
um suave aroma
soltou magoado
e em silêncio
chorou

Foto:internet




domingo, 7 de abril de 2013

Voar sem asas

Os dias crescem de novo
já as flores prometem voltar depressa
e o meu sorriso não se desfaz
nem quando o coração chora
pois vais precisar dele ainda
há chegares que não chegam nunca
nem os tesouros escondidos debaixo do sol
foram escritos pela mesma mão
há um impulso, uma verdade e uma ternura
que nunca a abandona
mesmo quando perde as asas
no momento em que se preparava para voar

Foto:Mafaldinha

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Inquietação

Na primavera flores. Eu gosto de flores, mas esta primavera demora, continua fria, chuvosa e triste. A minha imaginação adormeceu e aguarda que um sopro ou um beijo a avivem de novo. Eu que tanto me quero manter na luz, afastada da sombra que um eclipse de mim própria pode produzir. E ando assim à dias, ando pardacenta, acordo com as dores das árvores, apenas o tronco me sustenta de pé no chão. O meu espírito voa, lá fora por  horizontes que desconheço e procuro sem rumo certo. Apenas a inquietação e a serenidade, um ninho e um céu onde possa voar, inspiração e o vazio criador me bastariam, talvez!
Mas finalmente as tulipas começam a dar o ar da sua graça, na solidão dos ramos que as sustêm frágeis e breves passam pela vida cheias de cor e de beleza
E eu? Não, eu desta vez fico ...



Foto:Mafaldinha

terça-feira, 2 de abril de 2013

Certamente

São como a espuma das ondas
As tuas letras
Em cada poema um silvo de desejo
Que nada leva além do mar
Nem de amor louco pode apostar
Sem as palavras que encantam!
Belas de tanta ternura
Na voz dos amantes secretos
Nem as sílabas se repetem
Mas quando chegar ao cais
É lá que me encontras, amor!
Foto:Mafaldinha


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Rabiga em acção



Desafio nº39 
Em 77 palavras escrever um texto introduzindo a meio a frase: Afinal, era só um ovo de Páscoa

publicado no Blogue histórias em 77 palavras 
http://www.77palavras.blogspot.pt/

Havia migalhas por todo o lado e a formiga Rabiga na sua azáfama laboriosa ia empurrando um pedacito de encontro ao esconderijo, pelo carreirinho adiante. Afinal, era só um ovo de Páscoa! Há que aproveitar estes raios de sol que hoje aquecem o corpo e a alma confortada depois de tanta chuva, para repor as provisões, pensa ela toda animada. De repente um enorme obstáculo e o carreirinho desaparece. E daquele muro saía um cheirinho tão agradável….


Foto:internet