domingo, 30 de março de 2014

O tímido e as mulheres

Um livro brilhante, não precisa ser o romance do século. É brilhante porque oportuno, por agarrar a pulsão dos dias que nascem num país a conhecer a liberdade. Uma cidade onde todas as liberdades são permitidas em prol do crescimento através do investimento público, da corrupção, dos favores, dos oportunistas, dos parasitas da sociedade e daqueles que mantêm o ritmo de vida anterior e acabam por ser vitimas da modernidade que se instala e da qual não sabem ou não conseguem defender-se.

Acordei para o Pepetela  pela admiração de outrem. Alguém conhecedor da realidade africana, alguém que conheceu a Luanda sem liberdade, ou com a liberdade de outros tempos apenas. Alguém que sabe o que é o desejo africano, que o conheceu, conhece de perto, que sabe distinguir os costumes dos musseques e a realidade dos povos. Alguém que para além da inteligência e da sabedoria acumuladas pelos anos, traz no olhar o brilho da curiosidade. Alguém que do tanto que me ensina e do quanto me protege, é a voz que eu procuro quando o silêncio é insuportável. Mas quando mostrei interesse na sua leitura de imediato me foi colocado o quadro menos romântico da escrita do Pepetela. Austero, cruel por vezes, árido nas palavras e recorrendo a termos e definições africanas de dificil compreensão.

Acalmei as ânsias, mas não desisti. Fui espiando a sua obra, um pouco ao encontro do escritor, como era, que livros e quando foram editados, etc. Para se gostar da obra de um escritor muitas vezes é melhor nem conhecer nada dele, apenas o escrito. Mas desta vez fiz diferente. Precisava compreender que tipo de leitura seria, uma vez que nunca pisei Africa, não conheço os costumes locais nem as vivências. 

Eis quando assisto a uma entrevista na televisão com o Pepetela e sobre o lançamento deste novo romance. Adorei a conversa. Fiquei maravilhada pelas palavras do homem e escritor. Tanto que corri para a livraria a comprar o livro. Que fui lendo devagar. Para o interiorizar, para melhor compreender, para saborear.
Concluí-o hoje. Estou em transe. Gostei muito da forma como está escrito. Pepetela passa a ser um dos contemporâneos da língua portuguesa que também admiro. 
@Maça de junho


Para acompanhar o livro uma música que vai bem
http://youtu.be/eRyGbte4XH0


sábado, 29 de março de 2014

Além da matemática

Jogamos com a matemática como se fora ela quem nos ensinara a lógica
Para somar ternura com beijos num jogo onde apenas a adição conta
Tantos beijos quantos os que o fôlego aguentar, no total do infinito de nós;
Diminuir apenas a distância, sem diferença nem privação
Retira-me o desejo até o resultado ser zero, ou o absoluto do prazer
como o único que me sabe subtrair;
E se podermos multiplicar abraços e os momentos que são só nossos
Com carícias e sussurros de paixão nos dias em que tão intimamente nos damos
Elevando os expoentes da dádiva que sai  de nossas bocas para o coração
E até a divisão, podendo traduzir-se em árdua equação de fracções, divide entre nós segredos
E os dias do desassossego e os medos e a história de vida que não é nossa
Numa álgebra de impossíveis, transformando problemas em simples operações
E assim vamos construindo uma regra, sem recursos, nem artifícios, um caminho longo,
de resoluções e demonstrações da imensidão de um cálculo que me ajudas a olhar
muito para além da lua, para lá do oceano, por entre estrelas e nebulosas, onde apenas o sonho adormece.
@Maçã de junho



Foto:internet

quarta-feira, 26 de março de 2014

A PRIMAVERA

Chegou o sol, a natureza desabrocha, os pássaros chilreiam, é primavera!!
Estação do suave perfume das flores!
vida para uma imensa alegria!
A primavera germina e com ela a sua beleza.
O canto dos pássaros alegra cada alvorada,
acasalando inebriados no amor da criação, fazendo florescer cada novo dia.
Contagio apaixonado,
Na renovação do amor, da beleza e do encanto.
Cativando e iludindo os nossos desejos,
Alimentando então, este coração que se encanta e deslumbra  perante a aurora boreal  do dia que nasce!
@Maçã de junho, 20/03/2014


domingo, 23 de março de 2014

Jardinagem

Há um ditado que diz que a minha casa é o meu mundo, e é mesmo verdade. Um mundo que me basta tantas vezes. Onde encontro o conforto do fim do dia, o aconchego ao adormecer, onde sonho impossíveis, onde construo sonhos e brincadeiras, onde recebo amigos e onde me escondo quando o terror do mundo me assusta.

O dia é de primavera, traz poesia no olhar e o timbre da música que me encanta no coração. Há certezas na vida que não precisam da mão humana para acontecer, e acontecem inexoravelmente quando têm que acontecer.



É preciso tratar das sementes para depois contemplar os aromas na minha varanda/terraço. É lá que o devaneio me encontra quando indecisa procuro a luz.




Este inverno provocou estragos avultados, não em termos monetários, mas afetivos. Os pratos pendurados na parede, partiram.se quase todos, ficaram apenas dois, tristes desamparados. Dois pratos da madeira, das casas de Santana, apenas!



Cairam as chaminés do Algarve, as pinturas de flores e de trigo, do Alentejo, a casa Transmontana, enfim do que restou vou tentar consertar o que tiver conserto, o restante substituirei...logo se vê!

Mas o meu espaço está pronto, para florir de novo, para crescerem os cravos túnicos e as cravinas, o cebolinho e a salsa, os morangos, o tomate e a courgete. Há dias em que o amor vem no calor do sol até quando os amores são imperfeitos.








E a música sempre ela!
http://youtu.be/TUhcgk8PjY0





@Maçã de junho



sábado, 22 de março de 2014

e. e. cummings

A cada instante sou aquilo que escolho ser e cada vez que procuro e.e.cummings sou um pouco a Hannah do filme de Woody Allen (Ana e suas irmãs) um filme que aborda temas como a amizade e os relacionamentos que dela decorrem, e os conflitos amorosos que decorrem entre amizades e entre irmãos e familias e onde os desafios os fazem a cada momento repensar o seu papel na sociedade.
E o que é viver senão a cada momento nos inquietarmos, nos questionarmos sobre o que faço aqui, para que servirei, afinal? Como no poema algures haverá resposta, seja no silêncio, seja no desfolhar de uma nova primavera. A primavera que agora chega que não feche a beleza das rosas longe do alcance dos olhos de quem como eu alcança vislumbrar a vida nesse sentido frágil a ponto de poder partir a qualquer momento, como o amor, mesmo sabendo que o amor nunca morre

«algu­res aonde eu nunca viajei, alegremente além de
qual­quer experiência, os teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frouxo há coi­sas que me prendem,

ou que não posso tocar de tão pró­xi­mas que estão

 o teu mínimo olhar há-de facil­mente desprender-me
embora eu me tenha cer­rado como dedos,
tu sem­pre me abres pétala a pétala como abre a Primavera
(tocando hábil, misteriosamente) a pri­meira rosa

 mas se teu desejo for encerrar-me, eu e
minha vida fecha­re­mos em beleza, de repente,
como quando o cora­ção desta flor imagina
a neve em tudo cui­da­dosa descendo;

 nada do que existe para ser sen­tido neste mundo iguala
o poder da tua extrema fragilidade:cuja textura
me sub­mete com a cor dos seus domínios,
repre­sen­tando a morte e para sem­pre em cada alento

 (eu não sei o que é que há em ti que fecha
e abre; apenas alguma coisa em mim entende
a voz dos teus olhos mais pro­funda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem tão finas mãos,.»

(in viii poema,  página 43 de xix poems e.e.cummings).

 @Maçã de junho

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dizer poesia

Prisioneiros de leis desconhecidas e de,
Poderosas cláusulas que surgem de mentes arrogantes,
Pérfidas naturezas impõem-se entre mercados e governos
Perdidos entre autómatos desejos e terríveis angústias,
Pedem coisas desconhecidas, matemáticas descabidas, derivadas infinitas!
Penitências desmedidas são somadas aos direitos subtraídos
Públicos desmandos cobrem os corpos doridos de doenças  financeiras,
Psicanálise destruída pelo vírus da crise, descobre o terror do mundo.
Proibindo-se o sonho, a criatividade, o desempenho e a inteligência
Proibido será mesmo viver!
Prostíbulos onde se vende a democracia, a liberdade em troca de favores económicos
Políticos sem caráter decidem sem respeito pelas leis que os elegeram
Podres como uma maçã, inertes como uma rocha, incapazes, falhados
Proliferam pela união mais desunida do hemisfério
Planeta perdido no turbilhão dos índices neste dia que se diz de

Poesia!

@Maçã de junho
Foto:internet

quinta-feira, 20 de março de 2014

A chaminé e o pucarinho

Em cima da chaminé diz o pucarinho
-Estou ansioso que chegue a primavera para me tirarem daqui para junto da janela onde poderei apreciar a rua e as flores do jardim!
-Só eu passo aqui o ano todo, diz a chaminé, entre fumo e fuligem! Que vida triste e escura eu levo…
-Mas tu sempre podes dizer olá ao céu azul e às nuvens brancas por cima do telhado.
-Só um coração inteligente, deixa-nos voar sem asas

Dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam
Desafio nº62 publicado no Blogue: histórias em 77 palavras

@Maçã de junho


Amanda Kavanagh

terça-feira, 18 de março de 2014

Dor

Vou fazer uma revolução, porque fazer uma revolução é na alma de cada um! A minha já  começou no interior de mim.
Que importa amar, se há lonjuras intransponíveis? Amar é não ter preço, nem tempo, nem dever, nem obrigação, nem exasperação. Amar é ficar. É ganhar ou perder, sem saber, sem querer para além do amor.
Amar é dar, sem pedir, é entregar sem nota de débito. 
E quando o corpo dói de saudade as outras mãos não são as tuas mãos, os beijos não são os beijos que te conheço, quando me ensinaste a beijar. O calor é tépido, não há a sofreguidão que apenas tu me trouxeste. Até errando se aprende. Aprende-se sempre, mas há aprendizagens suaves, na tua imensidão. 

Não, não penses, essas coisas, que te levam ao sofrimento. Quando se deixa que o sofrimento se instale, perde-se o melhor que é viver. 
Nem que seja nos cornos da lua, pois não há traição quando não existe entrega da alma, e alma só temos uma, mesmo quando se entrega o corpo. 
O Corpo precisa de exaltação, de ser calorosamente louvado, e nem sempre o é, por não haver exaltação. Apenas nas pontas do crescente da lua te encontro. Procura-me ...



Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus.

E é assim que a noite chega, e dentro dela te procuro, encostado ao teu nome, pelas ruas álgidas onde tu não passas, a solidão aberta nos dedos como um cravo.

Meu amor, amor de uma breve madrugada de bandeiras, arranco a tua boca da minha e desfolho-a lentamente, até que outra boca – e sempre a tua boca – comece de novo a nascer na minha boca.

Que posso eu fazer senão escutar o coração inseguro dos pássaros, encostar a face ao rosto lunar dos bêbados e perguntar o que aconteceu. 

Eugénio de Andrade
in As Palavras Interditas






Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem.



Miguel Esteves Cardoso

Na estação na tarde o fumo
O rumor o vaivém as faces
Anónimas
Criaram no interior do amor um outro cais

As lágrimas
O fogo da minha alma as queima antes que brotem.

Sophia de Mello Breyber Andresen, in Livro Sexto






Esta tarde deitei-me na linha do horizonte, abandonei-me naquela lonjura, embalada nas águas cálidas do mar, com o céu a cobrir de púrpura a minha pele. Talvez ali, naquela planície de calmaria, adormeça a minha dor, adormeça a minha dor...

Maria João Saraiva, in A dor que me deixaste

@Maçã de junho

sábado, 15 de março de 2014

Sempre o amor

Sempre é palavra que não cabe aqui
Sempre pode ser título de um poema,
Mas nem sempre o poema o suporta
Sempre é invariável e a poesia essencial,
Sempre que subordinado ao texto, se funde
Ou se confunde sempre pela regra quebrada!
Sempre pode ser circunstância, o facto sentimento,
Sempre traz poesia quando forma o verso
Nem que o verso nem sempre rime,
Sempre que o amor vem pela poesia
Encantar a alma no intervalo de sempre!

Desafio do blogue histórias em 77 palavras
utilizando uma palavra repetida em todas as frases (11 frases de 7 palavras) - escolhendo de entre: sempre, perguntaste ou quando




Foto da internet
@Maçã  de junho

quinta-feira, 13 de março de 2014

A insustentável leveza da vida

«Tomas pensava: deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher).»

«O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sobre ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso docorpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.»

Retirado de:  A insustentável leveza do ser, Milan Kundera


Este livro mudou a minha vida, ou mudou-me a mim, talvez! Depois dele tornou-se claro distinguir o essencial do acessório na vida a cada um dos momentos que vão surgindo. A partir deste livro e mais tarde de quase todos os livros de Kundera, a minha vida procurou outros ritmos, amar obriga a partilha, a dádiva sem fazer contas, a tempo no tempo em que acontece. Não importa o amante, mas as qualidades, o que dá e o que exige. Mesmo quando a vida segue o ritmo dos dias, ausente, mas com poesia que lhe dá o desassossego, um ritmo que eu lhe imponho, nas lonjuras de um sentir. E aprendi que por vezes o efémero é aquilo que mais importa, porque é o que se vive com mais intensidade. Quem importa se se extingue, eu apenas conheço o momento atual, e esse me basta.

@Maçã de junho
Foto retirada da página de A Lifetime Photography


quarta-feira, 12 de março de 2014


Irresistível não "roubar" este post
http://www.escreveretriste.com/2014/03/unguento/

do blogue que acompanho por ser divertido, caustico, oportuno e provocador

sábado, 8 de março de 2014

Mulher

Quando a mulher
alma dentro do corpo certo, faz com que tudo aconteça,
Quando espera pacientemente o florir das sementes que lança
Investe sem garantia, avança sem conhecer o chão,
Abraça o mundo com os olhos e olha de perto quem constitui o seu mundo,
Como um abrigo ou uma muralha, ou o porto seguro
Nesse intervalo que é viver,
Não precisa de um dia, porque tem todos os dias para lutar ou conquistar,
para rir e chorar, para amadurecer e encontrar o respeito e a autenticidade,
para ir em busca da maternidade ou para amar, para aceitar e compreender.
Também o homem tem presença neste poema,
é ele quem faz a magia brotar da mulher, o calor do sol ser ameno
e a luz da lua reflexo do tamanho do coração
Pela dignidade humana, pelo olhar atento e atencioso,
pelas vitórias que ambos constroem na tolerância, na partilha e no pensamento
até quando há ausência ou sofrimento
Da vida mostra-se apenas o título, como um livro, apenas o conhece quem o lê.
Mulher é um poema que não acaba.

08 Março de 2014 

@Maçã de junho

Para ser mulher o limite é o amor que damos

sexta-feira, 7 de março de 2014

Amar com os pés


Há provas de amor que não estão nas palavras, nem há juras eternas, nem encontros secretos, agendados para determinado dia e hora. Ritual de muitos amantes, que precisam se ver, tocar, inquirir e abraçar a cada encontro que marcam e que executam nas mesmas horas, no mesmo local, da mesma forma. E depois dizem-se apaixonados. Dizem amar o outro, aquele que encontram qual data marcada pelo calendário, qual relógio de ponto onde apenas falta o cuco cantor. 
Um dia talvez venha aqui escrever que é assim que vivo o meu imenso amor, talvez venha aqui escrever que é assim que sou feliz. Mas espero nunca o fazer.
A forma que eu penso o amor, é haver tempo, sem tempos marcados, é haver comunicação sem precisar falar de tudo o que pensa ou de tudo o que anseia, é viver bem os momentos que estão disponíveis, é respeitar o tempo, a forma e o modo do outro. É exigir, quando se está disposto a também ser exigido. É saber dar sem mandar a conta, é encontrar um sorriso sem ter encomendado, é surpresa, e é desilusão. Enfim é viver a vida com tudo o que se encontra dentro dela. É fazer tudo, tudo aquilo que os amantes desejam fazer. É por vezes nem fazer nada, mas separarem-se como se tivessem feito tudo, sentir o prazer orgasmico do corpo, até quando não há contacto físico. 
Mas há um momento único que recordo e que traduzo pelo sublime da nossa relação. Quando os teus pés tocaram os meus. Quando os nossos pés se encontraram a primeira vez, sim era a primeira vez que eles se tocavam, e os teus entrelaçaram-se nos meus e esfregaram as minhas plantas, como se buscassem um equilibrio, como se retirassem o sustento deles, como a planta da terra. A intimidade vive-se de diversas formas, mas foi a forma mais intima de alguém me dizer o quanto me ama.Foi o encontro mais doce que me deste, quando me deste os teus dedos, quando o teu dedo grande acariciou a planta do meu pé. Quando me quiseres amar de novo, toca-me os pés. A liberdade dos nossos pés se tocarem é a intimidade do amor puro como o conheço, aquele que me deste a conhecer. E depois, depois podemos apenas adormecer nos braços do outro, aquele adormecer suave, repousante, sem condições, nem considerações. Porque amar não é apenas fazer tudo e desaparecer no escuro da noite. Amar não é correr para os braços do outro, entre suspiros e lençóis e desaparecer depois por semanas, que nem príncipe em nevoeiro serrado.Amar é estar junto a todas as horas, até quando as horas não são nossas, até quando juntos apenas os pensamentos que se encontram até para discordar, amar é juntar os pés, respirar e beijar os pés do outro depois das horas do dia, mas quando as horas se esquecem de avançar, deslumbradas perante o amor que vivem.

@Maçã de junho

foto:internet







quinta-feira, 6 de março de 2014

segunda-feira, 3 de março de 2014

Traição

Chegou triste, abatido. Tanta lágrima. Tem disto toda a ternura quando traída. O tempo é tradição. Um terramoto, emoções terrenas perdidas. Tornou-se autómato, temendo quando tocar-lhe. Verdade terrível quanto temerosa dúvida tua. Na tempestade vai tombar, sem trabalho nem trajeto. Arrefece tremendo sem teto. No teatro de Tebas, palco trágico de território enfraquecido, tombará sob tutela do trono perdido tão poderoso. Tabuleiro onde tece a trama ciumenta, tépido enamoramento. Testa o teu ciúme tolera a tua raiva.

Desafio nº 61
Escrever um texto em 77 palavras alternando a cada palavra outra começada por T
publicado no blogue: histórias em 77 palavras, que completa o seu terceiro ano de existência. 




domingo, 2 de março de 2014

Bolo de maçã

O tempo está frio e chuva, melhor dizendo, este inverno é muito frio e chuvoso. Não se consegue sair de casa para fazer nada. É preciso sair agasalhado e protegido. Não há paciência que aguente. Já não é só um suspiro de ansiedade pelo sol, é uma saudade que dói, é a alma tão triste quanto o tempo. E para mim escrever, dar voz à alegria, às emoções, aos afetos, é dor, é amor sem resposta, é querer o que não temos, é esperar que o silêncio traga um beijo com os lábios encostados nesta dor amantíssima que partilhamos, é esperar uma luz que nos dê vida e nos renove a coragem que o silêncio nos dá. E então eu escrevo, escrevo palavras nas quais procuro viver.
na beira do rio sonhei que brincávamos com balões
A primavera começa a dar os primeiros sinais
E hoje nem só as palavras me bastam. As maçãs a estragarem-se uma pena. E um bolo de receita fácil que também poderias comer uma fatia e gostarias tanto, eu sei! Leva pouco açúcar. As maças regadas com sumo de limão também retiram doçura ao bolo, que fica muito fofo e de sabor muito agradável.



Ingredientes:
3 maçãs cortadas em lâmina, regadas com o sumo de um limão e polvilhadas com açúcar (cerca de 50 gr,)
1 chávena de chá de açúcar
2 chávenas de farinha
uma colher de chá de fermento
100 gr manteiga amolecida
5 ovos

1. Batem-se muito bem, os ovos, a manteiga e o açúcar. 
2. Junta-se a farinha e o fermento que se incorporam na massa até fazer bolhinhas
3.Vai a cozer em forno pré-aquecido a 180º, numa forma untada e polvilhada com farinha.
4.Passados 15 minutos retira-se do forno e dispõe-se a maçã por cima ficando alguns pedacinhos a entrar pela massa dentro. 
5.Volta ao forno mais 20/25 minutos para acabar de cozer. 
Bolo de Maçã da Maçã de junho

Vou tentar tirar umas fotos do bolo para ilustrar a receita








Leituras

Os lugares somos nós que os marcamos e os momentos são aquilo que quisermos
Como um livro com muitas folhas onde parece nada ficar por dizer
ao abrir-se em várias páginas, 
parece que o tempo pára
e lemos um para o outro as frases do coração, 
E mesmo quando chover, haverá sempre um entardecer para nós
uns dias com mais vagares, noutros com mais demoras
O livro que nunca termina, vai-se lendo e anotando, há sempre novas ideias
que procuram algo extraordinário que acontece
é como fazer amor
devagar
@Maça de junho
leituras