sexta-feira, 26 de junho de 2015

o velho cuco


Estava uma casa em ruína, velha, decadente, tal sociedade sem valores. Pelo ralo que surgia no vão do telhado, ia crescendo vegetação. Ao fundo da rua passava o metro de superfície, amarelo vibrante. Elementar justiça para a ligação entre os transportes públicos da cidade.  Nem à noite o silêncio imperava, na esplanada da loja doce, Desde que o movimento peúga-rota se instalou numa ala da casa. O velho relojoeiro ia observando tudo, enquanto consertava o cuco antigo.
 
Desafio publicado no blogue: históriasem77palavras.blogspot.pt
RS 26: uma história em 77 palavras onde entrem obrigatoriamente as palavras: ralo, ruina, metro, peúga, doce, justiça, relojoeiro.
 
Foto de Nirvana Maria Boot.

terça-feira, 23 de junho de 2015

S. João

Na noite de S.João,
com alho porro e manjerico
Vou saltar uma fogueira
pois em casa é que não fico.
 
Na noite de S. João,
Vou ver o fogo no rio
Da Ribeira até à Foz
Das cascatas um rodopio.

Na noite de S. João,
Não me livro de sarilhos
volto a ficar de balão
Em vez de três quatro filhos.

S. João deste-me um beijo
fugiste e nada disseste
Amanhã vou ser falada
Por tudo o que não fizeste.

Um molho de cidreira
E um manjerico envasado
Foi tudo o que me deixaste
Depois de me teres encantado.
@Maça de junho

 
 
 
 

domingo, 21 de junho de 2015

O amor

Uma mãe e a sua filha estavam a caminhar pela praia. Num certo ponto, a menina disse:
"Como se faz para manter um amor?"
A mãe olhou para a filha e respondeu:
"...Pega num pouco de areia e fecha a mão com força..."
A menina assim fez e reparou que quanto mais forte apertava a areia com a mão com mais velocidade a areia se escapava.
"Mamãe, mas assim a areia cai!!!"
"Eu sei, agora abre completamente a mão..."
A menina assim fez mas veio um vento forte e levou consigo a areia que restava na sua mão.
"Assim também não consigo mantê-la na minha mão!"
A mãe, sempre a sorrir disse-lhe:
"Agora pega outra vez num pouco de areia e mantem-na na mão semi aberta como se fosse uma colher... bastante fechada para protegê-la e bastante aberta para lhe dar liberdade"
A menina experimenta e vê que a areia não se escapa da mão e está protegida do vento.
"É assim que se faz durar um amor..."


Texto encontrado na internet



@Maça de junho

sábado, 20 de junho de 2015

Desafio 92

Casa de Tormes

Ficou mudo de espanto e sentiu um arrepio. Não era de frio, que o dia amanhecera quente e a estas horas já nem os pássaros se ouviam, abrigados na sombra do jardim. Até o seu silêncio parecia premonitório.
A revolta era grande. Os populares não baixariam os braços e quando a noticia alastrasse pelas redes sociais e pelos jornais, seria a repetição da patuleia.
Agora em defesa da Casa de Tormes, onde o Jacinto banqueteava as favas.
 
publicado em http://77palavras.blogspot.PT

@Maça de junho


 

terça-feira, 16 de junho de 2015

As Rosas

As rosas
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
in Dia do Mar, 1947
Sophia de Mello Breyner Andresen
Foto de ARTE.

sábado, 13 de junho de 2015

Foi para ti que criei as rosas

 
Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do
lume.
Foi para ti que pus no céu a lua
e o verde mais verde nos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
um corpo aberto como os animais. Eugénio de Andrade
 
@Maça de Junho
 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Dádiva


Não importa o que se recebe, mas a forma como se recebe;
Não somos aquilo que temos, mas aquilo que sabemos oferecer;
 
Temos quando agradecemos com o coração;
Recebemos quando a alma se enche de gratidão.
 
 
@Maçã de junho
 
 
 

segunda-feira, 8 de junho de 2015


Levanto eu a saia
enquanto espero
que abras devagar
a camisa
sobre a nudez do peito.

Não quero sentir nada
que não saibas
nem quero
que te entregues contrafeito

É este o meu jeito
e tu não sabes o jogo
que é jogar
o meu vestido.

Deitar o fogo ao chão
e incendiar o grito.

 Maria Teresa Horta




Pintura: óleo s/ tela; LOVERS IN THE LILACS, de Marc Chagall
 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O meu Duende

Eu tenho um duende.
 
Estava a ler uma história de duendes. Há uma imensidão de histórias e lendas, sobre estes seres pequenos, capazes das maiores maldades e das maiores atitudes de generosidade, travessos, cheios de alegria, adoram festas e músicas e a quem são conhecidos apetites insaciáveis, alguns avaros, outros extremamente generosos, com poderes mágicos, quase imortais. Gostam de pregar partidas e esconder coisas em lugares inimagináveis, onde constroem mundos invisíveis ou visíveis apenas com que os partilham. Embora sempre prontos para brincadeiras são trabalhadores, inteligentes, dedicados e não recusam esforços a ajudar quem os protegem ou quem faz parte do seu mundo animado, sensíveis e sensibilizados pela natureza e pelo sofrimento alheio. A palavra duende crê-se que teve inicio na província espanhola da Cornualha.
 
«É uma alusão à descrição mais comum do personagem: na maioria das histórias, o duende é um espírito, na forma de anãozinho verde, que vive dentro de casa. Se recebe um bom presente, pode até ajudar no trabalho. Quando contrariado, apronta várias travessuras»
 
 
Magnodum: Duende da Magia
Tende: Duende da Sorte
Dunaz: Duende da Natureza
Dulei: Duende da Alegria
Duendo: Duende da União
 
Refletindo, dei comigo a encontrar o meu duende preferido. Aquele que me provoca quase sempre, aquele que me compreende na distância, aquele que me protege das nuvens negras, aquele que me faz maldades quando se zanga ou se acha esquecido. Talvez todos tenhamos um duende escondido nas nossas vidas. Eu tenho um, delicioso quase sempre, malvado por vezes, a quem dei o nome de Duende da fiscalidade.
Por vezes peço-lhe o impossível, por vezes pretendo dar-lhe tudo o que sonho, por vezes ele esconde-se de mim, por vezes sinto o seu altruísmo para comigo. Adoro o meu duende mágico e não sei o que seria de mim sem ele, qual princesa encantada na floresta. Apenas quero continuar a sentir o teu pó mágico em mim.
 
@Maça de junho
 
 
 
 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Mulher

«Gosto das mulheres que cheiram a madrugada e que têm na pele o desígnio do destino;

Gosto de mulheres que me enfurecem de desejo e me acalmam com o olhar;

Gosto das mulheres de mangas arregaçadas e de timbre solto na voz;...

Gosto das mulheres de cabelo livre como a alma;

Gosto das mulheres de um ano inteiro;

Gosto das mulheres arautos de beleza e simplicidade;

Gosto de mulheres de lágrimas prontas a parir;

Gosto de livre arbítrio, do pensamento divergente e da mulher entre as mulheres;
…………………………………………….Amo a mulher minha filha.»
 
in Cardilium